Prepare sua viagem a Paris

Paris é a cidade mais visitada do mundo. Por isso, por mais que você prefira viajar de forma improvisada para se surpreender a todo momento (nós também preferimos!), comprar ingressos antecipados faz você economizar tempo e dinheiro. E o principal: evita insuportáveis filas.

Você vai encontrar muitos sites por aí oferecendo compra antecipada de tickets, mas nós recomendamos o Paris City Vision para a sua viagem para Paris, porque ele pertence ao serviço de turismo mais tradicional de Paris, o Cityrama, que existe há “apenas” 80 anos. E porque o site está todo em português. Eles também têm um escritório no centro da cidade (ao lado do Louvre): ou seja, se precisar, você vai encontrar gente de carne e osso para lhe ajudar nos seus passeios em Paris.

No site você tem ingressos para barcos, museus, incluindo os tradicionais. Mas a gente fez uma seleção dos ingressos que não dá para você sair do Brasil sem ter comprado antes. Voilà as nossas recomendações:

Passe museu 4 dias

Com o Passe Paris Museum, você entrará gratuitamente, sem esperar e quantas vezes você quiser, em mais de 60 museus e monumentos de Paris e da região parisiense: Museu de Orsay / Torres de Notre Dame / Conciergerie / Arco do Triunfo / Panteão / Museu do Quai Branly / Museu Rodin / Centro Georges Pompidou.

Visita ao Louvre sem fila

Acompanhado por um guia, trajeto pelo Carrousel du Louvre e os Jardin des Tuileries até o museu do LouvreNo Musée du Louvre, você recebe o ingresso de entrada válido por um dia, um audioguia com comentarios sobre as pricipais obras do museu (em português!) e um mapa do museu.

 

Versailles em Trem (RER)

Ir a Versailles de ônibus-excursão é para os fracos. O trajeto mais autêntico é ir de RER, o trem urbano usado no dia a dia pelos parisienses. Comprando o ingresso antecipado, basta você ir ao encontro na agência Cityrama (2 rue des Pyramides). Você pegará o trem e visitará o Palácio acompanhado de um guia.

Guia grátis no cemitério Père-Lachaise

cem3
O cemitério do Père-Lachaise é um pouco como o Louvre: difícil de conhecer em uma só visita, por causa do seu tamanho. Ou seja, o ideal é ser objetivo e ir direto à Mona Lisa. Ou direto aos túmulos dos famosos. Uma boa dica de percurso é começar no de Jim Morrison, que fica na parte “baixa”, próximo à entrada, subir até o de Oscar Wilde, que fica no alto, e depois descer novamente.

Vendo estes dois túmulos e outros três ou quatro que ficam no caminho entre eles, você conseguirá fazer um passeio legal e objetivo de exatamente uma hora de duração, também tendo um bom panorama do lado paisagístico e histórico do cemitério. No meio do caminho existem curiosidades como o da foto acima, o túmulo de Yvan Salmon, um jovem que foi assassinado por um primo do imperador Napoléon III em 1870. O tal homem teria morrido virgem, e por isso você vai reparar que as partes íntimas da escultura do pobre falecido estão mais desgastadas do que o restante. É por que, segundo a lenda, toda mulher que toca ali aumenta suas chances de ficar grávida. Muitas visitantes, portanto, o fazem.

Uma dica final para conhecer o Père-Lachaise sem drama é aproveitar o tour gratuito oferecido pela Claire Bay, essa menina simpática da foto abaixo. A Claire é uma parisiense apaixonada por sua cidade que, no seu tempo livre, finge que é guia turístico. O melhor de tudo é justamente que ela não é uma guia profissional, mas simplesmente uma garota da cidade que gosta de conhecer viajantes e mostrar o cemitério e contar histórias sobre alguns túmulos. Os passeios da Claire são em inglês e partem quase sempre às quintas-feiras, às 16h, da porta do Père Lachaise. Mas as datas variam. O ideal é acompanhar o Facebook dela para saber quando será o próximo.

cem2

 

Cemitério do Père-Lachaise
16 rue du Repos. 75020. Paris.
Metro Père-Lachaise (Linhas 2 e 3)
Todos os dias, das 8h as 18h (domingo abre às 9h).

Leia também:

La Paris Beer Week

Visuels-Page-Manifeste-Slide1

A França definitivamente não é o país da cerveja, mas parece que, aos poucos, a excelência dos vizinhos belgas neste assunto começa a transbordar pela fronteira. Quem estiver em Paris entre os dias 24 de maio e 1 de junho poderá ter uma das raras chances de provar boa cerveja por aqui. Nesta semana vai rolar a primeira edição de La Paris Beer Week, um evento com extensa programação diária e espalhado em vários locais da região.

Uma das opções mais interessantes será, por exemplo, o passeio pelas ruínas das antigas cervejarias de Paris, no sábado, dia 24, que passará pelo locais onde costumavam estar a brasserie da Rue Scipion, a brasserie de Lutèce, Dumesnil ou Demory. Toda a programação, dia a dia, você encontra aqui

O evento também vai preparar uma cerveja comemorativa, uma pale ale chamada La 11, que vai reunir onze cervejeiros parisienses em sua fabricação. Mas o ponto alto da festa será no dia 31 de maio, com o grande encerramento, em um encontro em que você poderá degustar 30 cervejas artesanais diferentes, ao preço módico de 10 euros (à tarde) e 15 euros (à noite). Mais detalhes sobre a festa, aqui.

La Paris Beer Week
24 de maio a 1 de junho.
Evento espalhado pela cidade. A festa final será no 148 Rue du Faubourg Saint-Martin, 75010. Ingressos devem ser comprados antecipadamente.

Leia também:

Feira livre, hippie e moderna

paname1 O Free Market de Paname está completando três anos como um dos principais eventos do underground parisiense. A cada dois meses, a feira aparece em algum lugar meio escondido da cidade, com frequência no 19ème arrondissement (nas fotos desse post você vê a feira que rolou nos dias 3 e 4 de maio de 2014; consulte o site para saber quando é a próxima). O conceito é ser uma feira/festival de moda e cultura alternativa, bastante inspirada na tendência “hippie moderno”. A descrição dos próprios organizadores já deixa clara a ideia de fugir das “feiras de criadores” tão comuns e, em geral chatas, no Marais e em outros bairros de Paris:

“Esqueça os marchés de créateurs e pense em Camden, o seu respiro de liberdade, a sua atmosfera hippie, suas diversas tendências culturais, seus menus indianos, suas playlists que quem tem menos de 20 anos não pode conhecer, seus shows ao longo de todo o dia e suas múltiplas performances”.

A referência ao bairro de Camden, em Londres, não é a toa. O Free Market de Paname de fato lembra o Brick Lane Market de Londres ou o flea market Mauerpark, de Berlim, ou ainda a atmosfera de Williamsburg, em NYC. Mas tudo isso, claro, em uma proporção muito menor. O festival é animado, mas pequeno e modesto. Tem vinil, roupas, acessórios e peças de decoração. Vale pouco pelas compras e muito mais pelas intervenções artísticas e shows que rolam ao longo de todo o dia, durante os dois dias de evento, além da comida exótica, dos drinks e, claro, das pessoas, que em geral tem a cabeça bem mais aberta que a caretice média parisiense. Tudo isso por 3 euros de entrada. paname2 Le Free Market de Paname
Consulte o site para saber quando é a próxima.
Em geral ocorre no “La Mezzanine”, mas o ideal é checar sempre no site.
67 rue Petit. 75019 Paris
Metro Ourcq (linha 5)
Entrada a 3€, grátis para crianças.

Leia também:

 

Café hipster 4 – KB CafeShop

kb1

Com esta quarta dica, encerramos (pelo menos por enquanto) a série de posts sobre a nova onda de cafés “descolados” – leia o primeiro post da série para entender o nosso conceito de “café hipster”.

O KB CaféShop (antes chamado Kooka Boora) fica no olho do furacão da “nova cena hipster” parisiense, os altos do 9ème arrondissement – você deve lembrar que já falamos aqui da Esquina do Rock, nessa mesma região. A área vem sendo chamada de South Pigalle, com a abreviação SoPi (como o SoHo, NoHo ou NoLita, todos em Nova York)Estamos na belíssima Avenue de Trudaine que, apesar de ser chamada avenida, está mais para uma calma e arborizada rua de bairro. Essa área do 9ème fica ao lado de Montmartre, mas é pouco frequentada pelos turistas, que em geral vão em direção à Sacré Coeur, e não para “baixo”. O KB fica na esquina da Trudaine com a Rue des Martyrs, que tem um comércio de bairro autenticamente parisiense, com cafés, floristas e épiceries. Em resumo, a área ao redor do café vale o passeio.

O KB propriamente dito é lotado de gringos que moram em Paris, na sua maioria estudantes e – por alguma razão desconhecida – mulheres. O espaço é pequeno, mas bem distribuído de forma a acomodar a maior quantidade de McBooks possível – e uma vantagem em relação aos outros “cafés hipsters” da nossa série é que ele é cheio de tomadas para plugar telefone e computador. Quanto ao café, é o mesmo padrão “gourmet” dos outros. Cafés caros, entre 4 e 6 euros, mas feitos à perfeição. As opções de comida são poucas, mas o brownie é excelente.

Na relação custo-benefício, é o melhor entre todos os cafés que listamos aqui para se levar o notebook e trabalhar – já que o Lomi não tem tomadas, a Cafèotheque não tem wifi e o Craft cobra pelo tempo de internet. No KB tem tudo isso, e tudo grátis.

IMG_1762

KB CaféShop
53 Avenue Trudaine.
Metro Pigalle (linhas 2 e 12).
Seg – Sex: 07:30 – 18:30
Sáb – Dom: 09:00 – 18:30

Leia também

Cafe hipster 3 – Craft

craft1

(Fotos by Samuel Kirszenbaum)

Este é o único dos cafés da nossa lista de novos “cafés hipster” de Paris que não é feito para relaxar ou bater um papo, mas para levar o seu computador e trabalhar de verdade (e se você não entendeu o conceito de “café hipster”, leia o primeiro post da série com a explicação). O Craft fica no 10ème, ao lado da famosa “curva” do Canal Saint-Martin. Ou seja, no verão dá para sair de um intenso dia de trabalho e ir direto para o happy hour às margens do canal.

O Craft é, segundo eles, “o primeiro café de Paris dedicado aos criativos independentes”. Na verdade, é uma espécie de co-working space, mais do que café. É preciso pagar pelo tempo de uso da conexão internet e do ambiente, que é adaptado ao trabalho: uma mesa longa e grande, que você divide com outras pessoas, ou dois ambientes com sofás. Uma tarde de trabalho com um “cafe crèmme” sai por cerca de 10 euros. Ou seja, nenhuma pechincha. Ele é feito para uma escapada esporádica. Segundo descrevem os próprios proprietários, “o Craft foi concebido para se trabalhar em boas condições, naqueles dias em que a sua casa parece pequena demais, em que uma reforma no prédio faz barulho demais, em que você quer apenas mudar de ares ou que o vizinho muda a senha do wifi que você roubava”.

Mas então por que incluimos um co-working na lista dos cafés hipsters? Porque o Craft não negligencia o seu lado “café”, pelo contrário, é possível beber um dos melhores capuccinos da cidade, preparados com cuidado por quem entende do assunto – assim como na Cafeothèque ou no Lomi. Na minha opinião, vale a pena mais pelo café do que pelo co-working.

craft2

Craft
24, rue des Vinaigriers , 75010 Paris
Metro Jacques Bonsergent (linha 5).
Seg – Sáb: 09:00 – 19:00
Dom: 10:00 – 19:00

Leia também:

Café hipster 2 – La Caféothèque

cafeotque1

Dando sequência à série de posts com “Cafés Hipsters”, hoje vamos falar do La Caféothèque de Paris (e se você não entendeu o conceito de “café hipster”, leia o primeiro post da série com a explicação).

A Caféothèque, como o nome sugere (a tradução em português seria cafeoteca, como uma biblioteca ou discoteca) oferece uma vasto “acervo” de cafés, em diferentes combinações. Apesar de entrar na nossa lista de “cafés hipsters”, é preciso dizer que este é o menos hipster dos cafés da nossa série. Como fica no Marais, em frente à Île Saint-Louis e ao Sena, acaba atraindo todo tipo de público. E ainda há um detalhe importante que espanta um certo tipo de hipster: não há wifi para trabalhar. Pior: em um dos quatro ambientes do café é até mesmo proibido usar computador, para “manter a atmosfera boa”.

De resto, a Caféothèque, assim como o Lomi, é também uma escola, oferecendo cursos de torrefação e técnicas ligadas ao café. O preço também não é muito diferente: cerca de 5 euros por um cafe crème feito à perfeição. As opções de comida são poucas, a maioria doces e tortas. O destaque da Caféothèque é realmente o ambiente: cheio de poltronas, perfeito para marcar um encontro ou ir sozinho com um livro no inverno. Os proprietários e o staff são bastante simpáticos (para o padrão parisiense de grosseria).

Por fim, a principal dica se você quiser “go wild” no mundo do café é pedir o “cafe signature”. É uma receita de café especial, quente ou gelada, inventada por um dos baristas e que eles não dizem antes o que é. Você paga 7 euros por uma surpresa. Todo dia um diferente. Mas sempre vale a pena.

cafeotheque2

(Fotos do Facebook de La Caféothèque)

La Caféothèque de Paris
52, rue de l’Hôtel-de-Ville 75004 Paris.
Metros Pont-Marie, Saint-Paul.
Aberto todos os dias das 9h30 às 19h30.

Leia também:

Café hipster 1 – Lomi

photo-1

Eu costumo recomendar aos amigos que não venham a Paris no inverno, a não ser que eles já conheçam a cidade no verão. Na estação fria o turista perde o que eu considero a alma da cidade: seus espaços abertos, parques, arquitetura, monumentos, canais, rio, mesas na calçada, etc. Quem conhece a cidade só no inverno, não a conhece verdadeiramente. Mas estamos no inverno e é preciso encontrar lugares fechados e quentes para passar o tempo. Começo aqui uma sequência de 3 posts com os melhores cafés hipster da cidade. Por que essa definição “café hipster”? Por que é uma união de duas tendências em Paris nos últimos anos:

1) Estão surgindo lugares em que se pode beber café preparado por quem entende do assunto. Mesmo que “café” em Paris seja uma palavra que define mil coisas ao mesmo tempo (um café pode ser um restaurante, bar, boteco, lotérica, tabacaria, etc), a verdade é que, ironicamente, o café servido nos  “cafés” de esquina são, em geral, muito ruins. Um expresso até vai, mas experimente pedir o “café crème” – uma espécie de equivalente francês ao capuccino italiano ou ao café com leite brasileiro – e prepare-se para um pesadelo. Ou seja, faltam lugares com “café gourmet”, preparado de verdade por baristas.

2) A hipsterização do norte de Paris. Mais especificamente a parte do 9ème arrondissement  que vem sendo chamada de South Pigalle, com a abreviação SoPi (como o SoHo, NoHo ou NoLita, todos em Nova York)O assunto inclusive pautou este bom artigo do New York Times em novembro do ano passado e causou polêmica: estariam os hipsters arruinando a cidade? Na minha modesta opinião, não. Pelo contrário: apesar de toda a sua pretensão, os hipsters estão renovando uma cidade que estava velha demais em pelo menos um quesito: serviços de qualidade. Os hipsters estão trazendo, principalmente para rive droite (onde a cidade realmente fervilha), novas ideias para o comércio: dos food trucks aos cafés de qualidade e feitos para se trazer o seu MacBook, o seu bigode e o seu gorro de lã e trabalhar uma tarde inteira.

photo

O primeiro café hipster que eu apresento aqui é o Lomi, localizado em uma região do 18ème que já foi considerada a pior de Paris, por ser pobre e apresentar criminalidade acima da média. O bairro “La Goutte-D’Or” continua sendo relativamente pobre e caótico mas, assim como aconteceu com este tipo de bairro em várias cidades do mundo (Hackney em Londres, Williamsburg em Nova York), ele começa a ser invadido por jovens estudantes e artistas de vários países. O Lomi é o enclave hipster do bairro. Todas as tardes, hordas de jovens falando inglês e francês param por ali com seus computadores para beber um café late que cobra ao redor de 5 euros, um preço alto mas que vale cada centavo, porque é feito com torrefação artesanal e própria, além de muita técnica. Também é possível fazer um almoço light, com quiches e saladas. Na parte de trás do café, o Lomi é uma escola de baristas, oferecendo diversos cursos para quem quer se tornar um especialista em café.

Pontos altos: wifi rápido, bom para trabalhar, mesas grandes e poltronas, opções de comida.
Pontos fracos: fica meio longe do centro da cidade e não tem outras atrações ao redor.

Café Lomi
3ter rue Marcadet.
Metro Marcadet-Poissoniers (linhas 4 e 12).
75018 PARIS.
Fechado segundas e terças-feiras.

Aproveitando a viagem, visite também:

Um jardim escondido na rive gauche

jardin2

Quem pensaria encontrar, em pleno Saint-Germain-des-Prés, uma horta com milho, tomate, abóbora e couve? Essa horta existe e fica dentro de um tranquilo jardim público, onde se pode fazer piquenique sobre a grama ou descansar em um banco sob a sombra das videiras. Escondido atrás de muros altos, o jardim Catherine-Labouré é uma das melhores surpresas da rive gauche de Paris.

jardin4

Antiga horta do convento das Filhas da Caridade, conhecidas por sua “capela da medalha milagrosa”, o jardim é hoje aberto ao público e costuma acolher pessoas que trabalham ali por perto e querem um pouco de paz no horário de almoço, além de alunos das escolas do bairro, que cuidam da horta pedagógica. Por isso mesmo, a época das férias escolares (julho e agosto) é a mais calma para aproveitar o jardim.

Para comprar seu almoço ou abastecer a cesta de piquenique, passe na Grande Épicerie do Bon Marché, a dois passos dali. O jardim também tem vários brinquedos para distrair as crianças e até um banheiro — turco, ok, mas ainda assim um banheiro.

Jardim Catherine-Labouré
29, rue Babylone, 75007.
Metrô: Sévres Babylone (linhas 10 e 12)
Aberto no verão até as 20h30 (na dúvida, cheque os horários no site da prefeitura)

Ali por perto:

  • O Musée Rodin é imperdível para quem gosta de arte. Se a grana estiver curta, visite apenas o jardim do museu: custa 1 euro e garante o encontro com “O pensador”.

Veja também:

A pizza do balão rosa

Você já deve saber que as margens do Canal Saint-Martin são um dos melhores lugares para se passar os finais de tarde de verão em Paris. O canal cruza alguns dos bairros mais “bobôs” (ou hipsters) da cidade, então a fauna jovem que se encontra por ali é bem interessante, especialmente no trecho em que o canal faz uma curva, na altura do 10ème arrondissement, metrô Jaques Bonsergent.

O que talvez você não saiba – e talvez já tenha se perguntado – é por que há tantos balões rosa ao longo de toda margem do canal (e especialmente na tal curva). Trata-se de um serviço bastante original: o Le Pink Nik, trocadilho com piquenique e Pink Flamingo, uma pequena rede de pizzarias que tem 3 lojas em Paris. Pois a Pink Flamingo que fica só a uma quadra do canal oferece essa barbada: você encomenda sua pizza, pega um balão e vai para o canal. Dentro de alguns minutos, um entregador aparece com a sua pizza. O balão serve para que os entregadores encontrem você.

A Pink Flamingo foi criada pelo casal Jamie e Marie (na foto abaixo, com a sua trupe) e é famosa por seus meios pouco convencionais de entregar pizza: além da “entrega mediante balão” no canal, eles também entregam de bicicleta em partes do 10ème, 18ème e 3ème, onde estão localizadas as pizzarias. Desvendado o mistério dos balões rosa do Canal Saint-Martin.

Pink Flamingo
67 Rue Bichat. 75010. Paris‎.
Metro Jacques Bonsergent (linha 5), a uma quadra do Canal Saint-Martin.
De terça a domingo, das 12h às 15h e das 19h às 23h.

Leia também:

A drogaria do povo

IMG_20130713_214335Com este nome irônico, a People’s Drugstore é a melhor loja de cervejas de Paris. Basicamente por 3 motivos. Primeiro, a variedade é absurda: são 550 marcas, indo de uma simples Brahma brasileira até as mais sofisticadas gueuze belgas. Segundo, porque o preço de uma Brahma e de uma sofistitcada gueuze belga é o mesmo: 6 euros se a garrafa for grande e ridículos 3 euros se a garrafa for long neck. Sim, é quase difícil de acreditar no preço – ele é barato não só para os padrões parisienses, onde tudo é caro, mas para os padrões europeus em geral. Para se ter uma ideia, a mesma cerveja belga de 3 euros da People’s Drugstore custa 13 euros no La Fine Mousse, outro excelente endereço de cervejas artesanais da cidade.

Terceiro motivo: a ambience, como dizem os franceses, é muito agradável. Os dois proprietários são simpáticos, gostam de falar de cerveja (inclusive em inglês), mas não possuem licença para funcionar como bar. A maioria dos turistas que passa por ali (e passam muitos, já que a loja fica no coração de Montmartre) simplesmente compra as suas garrafas e vai embora. Os habitués do local, no entanto, sabem que podem pedir para um dos proprietários gelar a cerveja na hora, em uma das máquinas de gelar super-rápidas. E assim você pode degustar a gelada ali mesmo. Como não há mesas, a calçada acaba virando o salão do bar. Dá até para levar as crianças para desenhar na parede  enquanto você degusta (como na foto acima).

IMG_20130713_195235

People’s Drugstore
78 Rue Des Martyrs, 75018. Paris
Metro Pigalle (linhas 2 e 12).
Todos os dias, do meio-dia à meia-noite.

Leia também

Um teatro elisabetiano no Marais

 

Dica para quem vier a Paris até o dia 14 de julho de 2013. Desde março, quem caminha pelas margens do Sena na altura do Marais e da île Saint-Louis passa em frente a uma construção bastante estranha. Trata-se de La Tour Vagabonde, uma réplica (quase) perfeita de um teatro elisabetiano, ou seja, os teatros “redondos” do período da Rainha Elisabeth I da Inglaterra (1533-1603). O mais famoso deles foi o Globe Theatre onde, a partir de 1594, um tal de William Shakespeare apresentou suas criações.

Essa réplica que está em Paris vem da cidade de Fribourg, na Suiça, e tem caráter itinerante. Em cada cidade, recebe um grupo de teatro. Por aqui, quem está ocupando o espaço é a Companhia Les Milles Chandelles que, desde março, apresenta três peças de Shakespeare, com destaque para uma versão bastante tradicional de Romeu & Julieta. Apesar da montagem ser ortodoxa, o grande destaque é o espaço. Entrar na Tour Vagabonde é realmente uma viagem no tempo. Os assentos são pouco confortáveis e os três andares de plateia são construídos em madeira e revestidos de lona – um pouco como um circo. A experiência é única: os atores entram e saem de cena pelas diversas portas que existem nos três andares e em diferentes pontos da construção circular, o que significa que, a qualquer momento,  Romeu ou Julieta podem aparecer às suas costas.

A torre tem apenas 250 lugares, que não são marcados, por isso é bom chegar pelo menos uma hora antes para pegar um bom lugar. Experimentei vários pontos de vista dentro do teatro e, sem dúvida, o melhor lugar para ver (e participar) da peça é no terceiro andar, de frente para o palco.

Se você não entende francês, uma boa opção para conhecer o teatro é o concerto “De Shakespeare à Haendel”, que acontecerá no dia 1 de julho. Ingressos para as peças e para o concerto podem ser comprados, aqui.

La Tour Vagabonde
Cité Internationale des Arts
18 Rue de l’Hotel de Ville. 75004. Paris.
Ingressos online aqui.

Leia também:

- Todas as nossas dicas para o Marais.
- Todas as nossas dicas de teatro.

O canto mais esquisito de Paris


vintique_image

Difícil definir o La Vache Bleue. O surrealismo já começa pelo nome: A Vaca Azul. Eles se definem simplesmente como “um coletivo de artistas”. Mas se eu tiver que colocar em uma frase, lá vai: uma favela artística construída embaixo de um trilho de trem abandonado. Do trilho do trem nós já falamos antes, é a Petite Ceinture, uma ferrovia que circunda Paris e que está desativada há décadas.

vintique_image (3)

Pois no trecho em que a ferrovia atravessa o Canal de L’Ourcq, no 19ème arrondissement de Paris, um grupo de artistas ocupou os depósitos que ficam sob o trilho e construiu barracos ao redor da antiga estação Ourcq Jean Jaures. E ali instalou seus ateliês. São artistas plásticos, atores, diretores de teatro, poetas e músicos que, ao mesmo tempo em que produzem, abrem as portas para o público conhecer as suas criações. Apesar de totalmente obscuro, o espaço está completando 20 anos de atividades.

vintique_image (4)

Ao chegar no La Vache Bleue, o visitante depara com um corredor ao ar livre. Quando entra, tem a impressão de ser teletransportado de Paris para algum lugar remoto no interior da África ou da Índia. Pelo caminho você vai encontrando esculturas coloridas de madeira no chão e também penduradas pelas árvores. O aluguel de um ateliê custa 45 euros por mês, um valor simbólico, mas, durante o verão, muitos artistas preferem trabalhar ao ar livre mesmo, como a atriz da foto abaixo.

vintique_image (2)

Olhando de fora, ninguém imagina, mas este lugar improvisado abriga, além dos ateliês, uma galeria de exposições, um teatro e um bar.  É bom checar a agenda de eventos antes de aparecer por lá, mas, se não tiver nenhuma atração rolando, vale o passeio de qualquer maneira, pois muitas das obras estão pela rua mesmo, como essas raízes de árvore coloridas e bem surrealistas.

vintique_image (5)

O La Vache Bleue é um bom lugar para caminhar em uma tarde ensolarada, não recomendado durante o inverno nem à noite (já que a área é potencialmente perigosa). Mas desde já está levando o Troféu Paris Lado B de canto mais obscuro e esquisito que encontramos na cidade. Por enquanto.

vintique_image (1)

La Vache Bleue

25 Quai de L’Oise. 75019 Paris
Métro Ourcq ou Corentin Cariou.
A entrada fica ao lado da ponte de ferro que atravessa o Canal de L’Ourcq. Confira no Google Maps antes de partir, porque o lugar é bem escondido.

Aproveitando a viagem:

Como entrar sem convite na semana de moda de Paris

PFW-daniela_fetzner

É preciso um pouco paciência, mas não é impossível (nem tão complicado) entrar sem convite em um desfile da fashion week parisiense. Para ficar mais simples ainda, aí vai o nosso passo-a-passo:

1. Confira as datas de cada semana de moda no site modeaparis.com. São seis “semanas” por ano: prêt à porter, alta costura e moda masculina, duas temporadas de cada, sempre nos meses de junho/ julho, setembro/ outubro, janeiro e fevereiro/março.

2. O mesmo site vai ter a programação de cada semana (/défilés/calendriers) com dia, hora e local, além de um “calendrier off” com os desfiles que estão fora da programação oficial. ESQUEÇA Chanel, Dior, Balenciaga, Givenchy, Céline e afins. Escolha de preferência nomes menos conhecidos, como Manish Arora, Véronique Branquinho, Costume National, Allude, ou mesmo Anthony Vaccarello e Cédric Charlier. O primeiro dia costuma ser o mais tranquilo.

3. Chegue ao local do desfile com um pouco de antecedência; meia hora deve ser suficiente (lembre-se de que você vai esperar mais, pois os desfiles sempre atrasam).

4. Na porta do desfile, geralmente três placas indicam as filas para entrada: Press/TV, Buyers e STANDING. É nessa última que você vai ficar. Algumas pessoas nesta fila têm convites, outras não. A ideia do standing (“em pé”, mesmo) é uma espécie de arquibancada para os convidados menos importantes e, eventualmente, os sem-convite. É muito simples: ninguém quer um desfile sem público. Se muitos convidados não aparecem, eles deixam outras pessoas entrarem para fazer um pouco de volume.

5. Quando (e se) liberarem a entrada para os sem-convite, se ligue, pois todos têm que entrar rápido e ficar onde for indicado, para não atrapalhar a organização da coisa (esqueça tentar um lugar na primeira fila ou conseguir um lugar com os fotógrafos, que chegaram lá antes de todo mundo).

É difícil garantir com certeza que você vai conseguir entrar mas, seguindo essas dicas, há grandes chances. Pense que você não será o único: estudantes de moda costumam usar esse “truque” e às vezes a fila do standing é enorme. Quanto mais cedo você entrar na fila e quanto menos disputado for o desfile, maiores as chances.

Se não conseguir entrar, aproveite para observar a fauna que se reúne para os desfiles, que já é diversão garantida.

Veja também:

Uma tarde na Rue Dénoyez

Não há muito o que dizer sobre a Rue Dénoyez: desça no metrô Belleville, caminhe uma quadra, vire à direita e conheça boas galerias, artistas de rua e filmmakers em ação. Alguns registros do sábado à tarde:

vintique_image
vintique_image (6)
vintique_image (2)
vintique_image (5)
vintique_image (1)
vintique_image (3)
vintique_image (4)

Aproveitando a viagem:

Como subir no terraço da Louis Vuitton sem entrar na loja

louis1

Se você vai a Paris para fazer turismo lado-b, buscando lugares menos conhecidos, vai provavelmente preferir passar longe das lojas famosas. Só que muitas delas escondem alguns dos melhores terraços para apreciar a cidade from the top.

O melhor deles, sem dúvida, é o terraço da Galéries Lafayette, do qual já falamos aqui. Se tiver que escolher apenas um, vá nesse.

Mas se estiver passeando pela Champs Elysées, aqui vai uma dica preciosa: o terraço do prédio da Louis Vuitton. E o melhor: nem é preciso entrar na loja e fingir que aprecia  as suas bolsas de gosto bastante duvidoso. Existe uma outra entrada, uma “porta dos fundos”, na Rue de Bassano, perpendicular ao boulevard, que leva a um elevador que, por sua vez, leva direto ao topo do prédio.

Lá em cima fica o Espace Culturel Louis Vuitton. As exposições não são lá grande coisa, mas o espaço é muito bonito e você está lá apenas por um motivo: algumas das melhores vistas da Champs Elysées e da Torre Eiffel que se pode ter de graça em Paris.

louis2

Espace Culturel Louis Vuitton
60 Rue de Bassano, 75008 Paris (perpendicular à Champs Elysées).
Todos os dias, das 12h às 19h. Grátis.

Veja também:

- Terraço da Galléries Lafayette, a melhor vista da cidade.
- Alto de Belleville: Paris vista do leste.

Literatura no porão

Foto by Sabine Dundure. Mais fotos aqui.

Nos anos 20, a Lost Generation – grupo de escritores norte-americanos que se fixaram em Paris como Hemingway e Fitzgerald – escolheu a clássica livraria Shakespeare and Company, no coração de Paris, como seu “clube de encontro”. A livraria ainda existe, mantém o seu charme, mas não é lá que os jovens escritores anglófonos do século 21 se encontram.

O lugar para se conectar à nova produção literária (e artística em geral) fica longe dali, escondido em um porão do 11ème arrondissement de Paris. É o SpokenWord Paris. Todas as segunda-feiras à noite, a partir das 21h, a cave do bar Chat Noir fica lotada para ouvir leituras de poemas, interpretações teatrais e músicos. O foco é a produção autoral. Não há palco, apenas um quadrado cercado de sofás onde ocorrem as apresentações. Cada performance, seja atuação, leitura ou música, pode ter no máximo 5 minutos.

São três rodadas de performances por noite, com 15 minutos de intervalo entre cada uma delas para buscar uma cerveja (5,00 €). Cada rodada tem 8 performances de 5 minutos cada. O clima é dinâmico, e você vai das 21h à meia-noite sem sentir.

Para participar no palco, é preciso chegar cedo, as 20h, e solicitar a inscrição a David ou Alberto, os dois apresentadores da noite. O  SpokenWord Paris é um ótimo lugar para conhecer gente caso você não fale francês, já que é um encontro basicamente anglófono, mas de pessoas do mundo todo (principalmente UK, EUA, Canadá e Australia). E é daqueles eventos que nós do Paris Lado-B gostaríamos de pedir: não espalhe. A cave é realmente pequena e, se ficar famoso, perde a graça. Ah, e apesar de a literatura em língua inglesa ser maioria, há também participações em francês, como esta abaixo, que filmei na última segunda-feira, em que a garota faz poemas com palavras jogadas pelo público (acompanhada pelo piano a partir do 1min).

SpokenWord Paris
Toda segunda-feira, às 21h.
Au Chat Noir, 76, rue Jean Pierre Timbaud, 75011.
Métro Parmentier/Couronnes.

Aproveitando a viagem:

  • A Rue Jean Pierre Timbaud tem uma vida noturna e cheia de bares: procure pelo Petit Garage ou pelo UFO se estiver atrás de cerveja barata e clima descontraído.
  • Na mesma rua também fica o excelente centro cultural Maison des Metallos, do qual já falamos.

Veja também:

Exposição Luciano Spinelli

Convidamos quem estiver em Porto Alegre até o dia 12 de novembro a conferir a exposição do amigo Luciano Spinelli, que além de ser um grande fotógrafo, conhece o lado-b de Paris como poucos e é um dos “consultores” do blog. As fotos da exposição estão acompanhadas de algumas dicas nossas. Se você não está em Porto Alegre, pode conhecer o trabalho do Luciano neste link.

Cerveja barata em pleno Marais

Em nossa eterna busca pela cerveja barata em Paris, eis que surge o bar L’Attirail, uma improvável opção em pleno Marais. Mais improvável ainda porque os pints de Stella Artois, a 3 euros cada, vêm acompanhados de um prato de batatas fritas com alho e salsa, cortesia da casa no happy hour.

O L’Attirail também serve alguns pratos, como saladas, hambúrguer, confit de canard e outros básicos da cozinha francesa, mas confesso que nunca fui além das batatas (minhas desculpas públicas a todos que já dividiram a mesa comigo lá e mal tiveram tempo de provar).

Além disso, você ainda pode colaborar com a simpática decoração do bar, deixando lá uma foto 3×4.

Duas dicas: as batatas chegam na mesa, mas a cerveja você precisa pedir no balcão; e peça logo uma “pinte” (50cl), que custa 3 euros, já que a “demi” (25cl) custa 2,50.

     

L’Attirail
9 Rue au Maire, 75003, Paris
Telefone:   01 42 72 44 42
Metrô: Arts et Métiers (linhas 3 e 11)
Aberto todos os dias, das 10h às 2h
Site: http://www.lattirail.fr/

Aproveitando a viagem:

  • Ali pertinho ficam tanto o Centre Pompidou quanto a Gaîté Lyrique, dois ótimos centros culturais.
  • A estação Arts et Métiers, na parte da linha 11, é uma das mais legais do metrô parisiense: parece um submarino!

Veja também:

botaodoar

O baile que virou galeria

Localizado em uma minúscula e erma travessa sem saída do 18ème arrondissement (foto acima), longe da colina de Montmartre ou dos pontos turísticos da região, o Le Bal é um daqueles lugares que você só chega se souber o endereço. Impossível passar “sem querer” pela viela Impasse de la Defense. Mas depois de dar os primeiros passos sem encontrar vivalma, você vai deparar com um dos espaços dedicados às artes visuais mais efervescentes da cidade.

O Le Bal é não apenas um espaço para exposição, mas também uma boa livraria e um ótimo bar/restaurante, que com frequência está mais cheio do que a galeria. A história do Le Bal também é interessante: nesse fim de mundo do 18ème, antes da II Guerra Mundial, existia um “espaço de baile” (por isso o nome, Le Bal) – na verdade um bom e velho cabaret, chamado Chez Isis. Em 2006, passou por uma reforma geral e virou este espaço dedicado a fotografia, cinema e novas mídias, com ênfase em documentação (ideal para jornalistas), com frequência trazendo exposições internacionais. Atualmente, exibe fotografias do britânico Paul Graham (até 9 de dezembro de 2012).

Mesmo se a exposição não lhe interessar, vale a pena visitar o Le Bal pelo brunch dos domingos (até às 16h) ou apenas pela caminhada pelas desconhecidas vielas ao redor da Place de Clichy, que revelam cenas insólitas como esta abaixo.

Le Bal
6 Impasse de la Défense. 75018. Paris
Metrô Place de Clichy (linhas 2 ou 13).
Quartas e sextas-feiras, das 12h às 20h. Quintas-feiras, até às 22h.
Sábados, das 11h às 20h, e domingos, das 11h às 19h.
Acesso à livraria e ao bar gratuitos. Acesso à galeria, 5 euros (4 para estudantes).

Leia também

Um barco-teatro natureba

O verão está acabando e vamos então à última dica de happy hour. No último post sobre o Bassin da la Villette eu falei do 25 Est e disse que era um dos melhores happy hours do lago, mas não o único. Vamos a outro então, o Péniche Antipode. Trata-se de um barco ancorado dentro do Bassin, na margem esquerda de quem chega pelo metrô Jaures (ou Stalingrad).

Além das vantagens óbvias de se “prendre un verre” dentro de um barco (a brisa, a vista do lago, o sol, etc), o Péniche Antipode também oferece coisas diferentes no cardápio e na programação. Porque, além de um bar, ele é também restaurante  (almoço vegetariano todos os dias) e teatro. Sim, há um teatro dentro do barco, com um palco de tamanho bem razoável por onde passam atrações musicais ou teatrais (programação, aqui).

O ideal é chegar para o happy hour no fim da tarde e ficar para ver o que vai passar pelo palco à noite. Tudo no Antipode tem o clima “natureba”, não só a comida vegetariana. Os copos são ecológicos e as cervejas vendidas lá são todas ou BIO, ou fabricadas em condições de “comércio justo”. O destaque é a cerveja holandesa Mongozo, que vem nos sabores banana, coco e manga. Sei que pode parecer uma mistura absurda, mas as de coco e de manga são bem boas.

Eventualmente o Antipode levanta sua âncora e vai estacionar em outro ponto do Canal de L’Ourcq, por isso é bom verificar no site se o barco está atracado no Bassin antes de chegar lá.

Péniche Antipode
Bassin de la Villette
Saindo da estação Jaures (linhas 2, 5 e 7bis), logo à direita.

Leia também:

Roupas e acessórios com preços camaradas

Reproducao-Afwosh.com

Cheia de coisinhas legais, das úteis às deliciosamente inúteis, a Afwosh bem podia estar no Marais, mas se instalou logo acima dos Grands Boulevards. Melhor para nós, que ganhamos uma loja sem americanos em dia de compras e com precinhos mais amigos.

A loja é pequena, mas tem uma boa seleção de roupas masculina/feminina/infantil, acessórios, bijuterias e coisas para a casa. Os preços variam: de bijus baratinhas e roupas acessíveis – de marcas como Vero Moda – até pequenos luxos.

A Afwosh também vende online, mas entrega somente na França. E, se serve de consolo, a loja virtual é bem fraquinha. Melhor mesmo é passar lá!

Afwosh
10 rue d’Hauteville, 75010, Paris
Metrô: Bonne Nouvelle (linhas 8 e 9)
Aberto de segunda a sábado, das 11h às 20h
Site: www.afwosh.com

Aproveitando a viagem:

Veja também:

Happy Hour no lago

O 19éme arrondissement de Paris é o melhor para aproveitar o verão. Por ser o distrito mais popular, também é menos visitado por turistas. Melhor ainda. Entre as opções para se jogar no sol com uma gelada estão o Parc de Buttes Chaumont e o Parc de la Villette, dos quais já falamos. Mas o meu lugar preferido do 19ème é esse da foto acima, o Bassin de la Villette, um lago artificial construído a partir do Canal Saint Martin.

Ao redor do Bassin da la Villette ficam nada menos do que três dos melhores happy hours da cidade – todos recomendados para o verão (agora!). Para começar, vou falar do 25° Est, que fica na ponta ou no “início” do lago. O grande segredo deste bar não é ele, mas está em cima dele: o terraço ao ar livre onde, no verão, montam uma barraquinha de cerveja e vendem em copos de plástico mesmo um pint a 3,5 euros – ótimo preço para os padrões locais. Depois, é só se esticar nas cadeiras e aproveitar a vista para o lago, as árvores e a brisa. O clima informal é o mais próximo de uma praia que se pode ter em Paris.

25° Est
Bassin de la Villette
Saindo da estação Jaures (linhas 2, 5 e 7bis), logo à direita.

Leia também:

Hora do chá

Parece tão impossível encontrar um pouco de sossego por essa região entre Saint-Germain-des-Prés e Saint-Michel que, quando você passa pelo portão da Passage Dauphine, tem a impressão de entrar em um pátio privado. E ali estão as mesinhas na calçada do L’Heure Gourmande, onde se pode sentar tranquilamente (de verdade) para um chá – sem fumaça de escapamento, carrinhos de bebê atropelando seu pé ou sacolas de compras batendo no seu ombro.

Com preços a partir de 6 euros, os chás não são baratos (como tudo em Saint-Germain, aliás), mas valem a pena pela variedade e qualidade. Para acompanhar, várias delicinhas como bolos, tartes, madeleines e até sorvetes Berthillon.

L’Heure Gourmande
22 Passage Dauphine, 75006
Metrô: Odéon (linhas 4 e 10) ou Saint-Michel (linha 4)
Aberto todos os dias, das 11h30 às 19h

Aproveitando a viagem:

  • Para quem é fã ou se empolgou de repente, ali pertinho tem uma loja Mariage Frères, que vende ótimos chás.
  • Também ali perto fica o Café Procope, de 1694, que dizem ser o mais antigo de Paris. Os preços são meio desanimadores, mas é sempre engraçado passar por ali, dar aquela espiadinha e imaginar Rousseau, Voltaire ou Robespierre entre a clientela.

Veja também:

Cervejas belgas e (mais) comida de graça

O chato de viajar pela Europa é que são tantos lugares incríveis, todos tão diferentes e tão próximos, que é impossível justamente fazer uma viagem “à Europa”. Aí você vai de Amsterdam a Paris, por exemplo, e ali no meio está a Bélgica, suplicando por uns dias da sua programação. Mas falta tempo, ou falta dinheiro… É preciso fazer escolhas.

O Bouillon Belge é um bom refúgio se for este o caso, principalmente se o que mais atrai você na Bélgica são as cervejas (confessa, vai). São mais de 100 tipos diferentes, em garrafa ou pressão, entre 2,50 e 6,50 euros – ou ainda em garrafas de 750ml, entre 14 e 16 euros. Pilsen, blanche, kriek, faro, duple, triple, tem de tudo. Ficou na dúvida? O pessoal do bar ajuda a escolher, mas sem abrir mão da piadinha “Você prefere loiras, ruivas ou morenas?”…

Para amortecer o álcool, a cozinha do bar oferece pratos típicos da Bélgica, como a carbonnade flamande ou as tradicionais batatas fritas servidas em um cone.

Além disso, toda quarta-feira, a partir das 20h30, tem comida de graça. Ok, nem tudo é perfeito, e a comida em questão não é nenhuma maravilha belga, mas pode variar entre o tradicional couscous ou o chili con carne. De graça, né? E bem acompanhada.

Le Bouillon Belge
6 rue Planchat, 75020, Paris
Metrô: Avron (linha 2) ou Buzenval (linha 9)
Aberto das 17h às 2h, de segunda a sexta; do meio-dia às 2h no sábado; e do meio-dia à meia-noite no domingo

site: http://lebouillonbelge.fr/

Aproveitando a viagem:

  • Essa região não é muito forte em atrações (aliás, evite explorar as ruazinhas por ali a pé, tarde da noite), mas a três estações de metrô (linha 2) do Bouillon Belge fica o cemitério Père Lachaise. Já a linha 9 passa também por Oberkampf.

Veja também:

Verão no Parc de la Villette

O Parc de la Villette é uma verdadeira cidade dentro de Paris. Fica num “canto extremo” da capital, mais precisamente no nordeste, divisa entre o 19ème arrondissement e a periferia. Esse espaço gigantesco abriga várias casas de show (Zenith, Trabendo, Cabaret Sauvage), vários centros culturais (Cité de la Musique, Cité des Sciences, entre outros) e, claro, como um bom parque, tem ótimos espaços ao ar livre. As longas áreas de gramado são boas para piquenique e ainda são cortadas pelo belo canal Ourcq.

Desse universo gigantesco a ser explorado, vou destacar dois eventos que ocorrem anualmente no verão (portanto já vão começar) e que valem muito a pena:

1) Villette Sonic: é um festival de rock alternativo, indie e eletro que rola há sete anos. Ocupa diferentes espaços do parque, mas o shows principais são no Grande Halle de la Villette, um prédio envidraçado que tem um ótimo clima para shows. O festival desse ano começa nessa semana: de 25 a 30 de maio. Entre os destaques, Mudhoney e Melvins. Ingressos e informações, aqui.

2) Cinéma en Plein Air: para mim um dos eventos mais legais do verão na cidade (se não o mais legal). É uma sessão de cinema diária em pleno gramado ao ar livre (foto acima, de Alain Goustard). Todo dia um filme. Ou melhor, toda noite. A sessão começa depois que o sol se põe, e no verão ele se põe sempre depois as 22h. A dica é levar cadeiras de praia, já que deitar na grama durante 2 horas não faz muito bem para as costas. Ou se esbalde na cerveja a 3 euros vendida ali mesmo – é o que muita gente faz para ficar mais confortável. O En Plein Air deste ano começa em 25 de julho e vai até 26 de agosto. Todo dia de graça.

Parc de la Villette
211 Avenue Jean Jaurès, 75019 Paris.
Metro Porte de Pantin (Linha 5).
Confira no mapa a localização de cada lugar dentro do parque.

LEIA TAMBÉM:

Happy hour no alto da montanha

 

Essa semana o calor finalmente chegou (por calor, entenda-se temperatura atingindo os 20 graus) e vou começar então uma série de posts sobre os melhores (e mais escondidos) lugares para beber uma gelada no final da tarde. Mesmo não estando ainda tão quente, o dia já está durando até ao redor das 21h.

Para começar, vamos com o alto da montanha de Belleville. Lá em cima, na Rue Piat com Rue Envierges, fica o La Mer à Boire, um bar de esquina como qualquer outro. A diferença são as ótimas (e muitas) mesas na calçada e o belvedere que fica bem em frente ao bar e que oferece essa vista pouco conhecida sobre Paris:

 

Dica 1: para chegar lá em cima sem cansar, não desça na estação de metrô Belleville, e sim na estação Pyrénées (linha 11). Depois basta caminhar mais duas quadras no mesmo nível, sem escalada.
Dica 2: Não espere o sol se pôr para se mandar de lá. A região não é das mais seguras durante à noite.

La Mer à Boire
1 Rue Envierges – 75020.
Metrô Pyrénees (linha 11)
De segunda a sábado, das 11h às 2h. Domingo, das 11h às 23h.

Aproveitando a viagem:

  • Se quiser continuar a noite depois de anoitecer, simplesmente desça a pé a Rue de Belleville e pare no excelente bar Aux Folies.
  • E se quiser estender a noite ainda mais, faça uma soirée no Bellevilloise.

Maison des Métallos

A Maison des Métallos é um centro cultural localizado no meio da efervescente região  de Oberkampf, mas é tão escondido que muita gente que frequenta o bairro há anos não sabe que ele existe. Fica em plena Rue Jean Pierre Timabaud, uma paralela da Rue d’Oberkampf lotada de bons bares como o Petit Garage e o U.F.O.

A Maison acaba passando batida porque sua linda fachada fica, na verdade, no pátio interno do terreno, na altura do número 94. Ao passar pelo pórtico de entrada (foto acima), o visitante depara com o prédio tipicamente industrial construído em 1881. Por alguns anos, ali funcionou a fábrica de instrumentos musicais Couesnon, conhecida por ser fornecedora de grandes jazzistas americanos e por ter sido a primeira fábrica de instrumentos a usar máquina a vapor. Em 1937 o prédio foi comprado por um sindicato de metalúrgicos – daí o nome do centro cultural – e em 2007 foi adquirido pela prefeitura, que transformou em centro cultural.

O melhor é visitar à noite, quando as luzes de neon da fachada contrastam com a arquitetura antiga. O destaque do centro é o grande espaço para shows (foto abaixo). As apresentações costumam custar não mais do que 10 euros, trazendo artistas de vanguarda e experimentalismo entre música e teatro. O segundo destaque é o café, com um clima “branché”, mais cool, em geral com música lounge animada por DJ’s antes dos concertos começarem. Confira aqui a programação. (Crédito das fotos: Festival Future En Seine/Divulgação);

Maison des Métallos
94 Rue Jean-Pierre Timbaud
Metro Couronnes (linha 2) ou Parmentier (linha 3).
De segunda a sexta, das 9h às 19h. Sábados, das 14h às 19h. Domingo à noite, dependendo da programação.

Leia também

Três dicas próximas da Maison des Métallos:

Mixtape ParisLadoB #4 – allez, les filles

O que eu queria mesmo era fazer uma playlist celebrando a chegada da primavera, as flores das cerejeiras e todas essas bobagens que fazem a alegria do povo depois de meses de tempo frio e cinza. Mas não. Não, porque o tempo continua frio e cinza e a primavera, ai, nem sinal.

Então resolvi juntar 10 cantoras, todas vivas, todas francesas (mas que não necessariamente sussurram com voz rouca), algumas mais conhecidas, outras menos.

Aqui você vê a playlist inteira, e logo abaixo estão os clipes, um por um.

Continuar lendo

Destruindo Paris

Num espírito ficção-científica vintage, o último vídeo do grupo francês La Femme tira todo o romantismo da cidade e derruba até a Torre Eiffel (ops, contei), com direito a corridinha em Montmartre e vilões oxigenados no Palais du Trocadéro.

 

Veja também: