O canto mais esquisito de Paris


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Difícil definir o La Vache Bleue. O surrealismo já começa pelo nome: A Vaca Azul. Eles se definem simplesmente como “um coletivo de artistas”. Mas se eu tiver que colocar em uma frase, lá vai: uma favela artística construída embaixo de um trilho de trem abandonado. Do trilho do trem nós já falamos antes, é a Petite Ceinture, uma ferrovia que circunda Paris e que está desativada há décadas.

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Pois no trecho em que a ferrovia atravessa o Canal de L’Ourcq, no 19ème arrondissement de Paris, um grupo de artistas ocupou os depósitos que ficam sob o trilho e construiu barracos ao redor da antiga estação Ourcq Jean Jaures. E ali instalou seus ateliês. São artistas plásticos, atores, diretores de teatro, poetas e músicos que, ao mesmo tempo em que produzem, abrem as portas para o público conhecer as suas criações. Apesar de totalmente obscuro, o espaço está completando 20 anos de atividades.

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Ao chegar no La Vache Bleue, o visitante depara com um corredor ao ar livre. Quando entra, tem a impressão de ser teletransportado de Paris para algum lugar remoto no interior da África ou da Índia. Pelo caminho você vai encontrando esculturas coloridas de madeira no chão e também penduradas pelas árvores. O aluguel de um ateliê custa 45 euros por mês, um valor simbólico, mas, durante o verão, muitos artistas preferem trabalhar ao ar livre mesmo, como a atriz da foto abaixo.

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Olhando de fora, ninguém imagina, mas este lugar improvisado abriga, além dos ateliês, uma galeria de exposições, um teatro e um bar.  É bom checar a agenda de eventos antes de aparecer por lá, mas, se não tiver nenhuma atração rolando, vale o passeio de qualquer maneira, pois muitas das obras estão pela rua mesmo, como essas raízes de árvore coloridas e bem surrealistas.

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O La Vache Bleue é um bom lugar para caminhar em uma tarde ensolarada, não recomendado durante o inverno nem à noite (já que a área é potencialmente perigosa). Mas desde já está levando o Troféu Paris Lado B de canto mais obscuro e esquisito que encontramos na cidade. Por enquanto.

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La Vache Bleue

25 Quai de L’Oise. 75019 Paris
Métro Ourcq ou Corentin Cariou.
A entrada fica ao lado da ponte de ferro que atravessa o Canal de L’Ourcq. Confira no Google Maps antes de partir, porque o lugar é bem escondido.

Aproveitando a viagem:

Como entrar sem convite na semana de moda de Paris

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É preciso um pouco paciência, mas não é impossível (nem tão complicado) entrar sem convite em um desfile da fashion week parisiense. Para ficar mais simples ainda, aí vai o nosso passo-a-passo:

1. Confira as datas de cada semana de moda no site modeaparis.com. São seis “semanas” por ano: prêt à porter, alta costura e moda masculina, duas temporadas de cada, sempre nos meses de junho/ julho, setembro/ outubro, janeiro e fevereiro/março.

2. O mesmo site vai ter a programação de cada semana (/défilés/calendriers) com dia, hora e local, além de um “calendrier off” com os desfiles que estão fora da programação oficial. ESQUEÇA Chanel, Dior, Balenciaga, Givenchy, Céline e afins. Escolha de preferência nomes menos conhecidos, como Manish Arora, Véronique Branquinho, Costume National, Allude, ou mesmo Anthony Vaccarello e Cédric Charlier. O primeiro dia costuma ser o mais tranquilo.

3. Chegue ao local do desfile com um pouco de antecedência; meia hora deve ser suficiente (lembre-se de que você vai esperar mais, pois os desfiles sempre atrasam).

4. Na porta do desfile, geralmente três placas indicam as filas para entrada: Press/TV, Buyers e STANDING. É nessa última que você vai ficar. Algumas pessoas nesta fila têm convites, outras não. A ideia do standing (“em pé”, mesmo) é uma espécie de arquibancada para os convidados menos importantes e, eventualmente, os sem-convite. É muito simples: ninguém quer um desfile sem público. Se muitos convidados não aparecem, eles deixam outras pessoas entrarem para fazer um pouco de volume.

5. Quando (e se) liberarem a entrada para os sem-convite, se ligue, pois todos têm que entrar rápido e ficar onde for indicado, para não atrapalhar a organização da coisa (esqueça tentar um lugar na primeira fila ou conseguir um lugar com os fotógrafos, que chegaram lá antes de todo mundo).

É difícil garantir com certeza que você vai conseguir entrar mas, seguindo essas dicas, há grandes chances. Pense que você não será o único: estudantes de moda costumam usar esse “truque” e às vezes a fila do standing é enorme. Quanto mais cedo você entrar na fila e quanto menos disputado for o desfile, maiores as chances.

Se não conseguir entrar, aproveite para observar a fauna que se reúne para os desfiles, que já é diversão garantida.

Veja também:

Uma tarde na Rue Dénoyez

Não há muito o que dizer sobre a Rue Dénoyez: desça no metrô Belleville, caminhe uma quadra, vire à direita e conheça boas galerias, artistas de rua e filmmakers em ação. Alguns registros do sábado à tarde:

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Aproveitando a viagem:

Como subir no terraço da Louis Vuitton sem entrar na loja

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Se você vai a Paris para fazer turismo lado-b, buscando lugares menos conhecidos, vai provavelmente preferir passar longe das lojas famosas. Só que muitas delas escondem alguns dos melhores terraços para apreciar a cidade from the top.

O melhor deles, sem dúvida, é o terraço da Galéries Lafayette, do qual já falamos aqui. Se tiver que escolher apenas um, vá nesse.

Mas se estiver passeando pela Champs Elysées, aqui vai uma dica preciosa: o terraço do prédio da Louis Vuitton. E o melhor: nem é preciso entrar na loja e fingir que aprecia  as suas bolsas de gosto bastante duvidoso. Existe uma outra entrada, uma “porta dos fundos”, na Rue de Bassano, perpendicular ao boulevard, que leva a um elevador que, por sua vez, leva direto ao topo do prédio.

Lá em cima fica o Espace Culturel Louis Vuitton. As exposições não são lá grande coisa, mas o espaço é muito bonito e você está lá apenas por um motivo: algumas das melhores vistas da Champs Elysées e da Torre Eiffel que se pode ter de graça em Paris.

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Espace Culturel Louis Vuitton
60 Rue de Bassano, 75008 Paris (perpendicular à Champs Elysées).
Todos os dias, das 12h às 19h. Grátis.

Veja também:

- Terraço da Galléries Lafayette, a melhor vista da cidade.
- Alto de Belleville: Paris vista do leste.

Literatura no porão

Foto by Sabine Dundure. Mais fotos aqui.

Nos anos 20, a Lost Generation – grupo de escritores norte-americanos que se fixaram em Paris como Hemingway e Fitzgerald – escolheu a clássica livraria Shakespeare and Company, no coração de Paris, como seu “clube de encontro”. A livraria ainda existe, mantém o seu charme, mas não é lá que os jovens escritores anglófonos do século 21 se encontram.

O lugar para se conectar à nova produção literária (e artística em geral) fica longe dali, escondido em um porão do 11ème arrondissement de Paris. É o SpokenWord Paris. Todas as segunda-feiras à noite, a partir das 21h, a cave do bar Chat Noir fica lotada para ouvir leituras de poemas, interpretações teatrais e músicos. O foco é a produção autoral. Não há palco, apenas um quadrado cercado de sofás onde ocorrem as apresentações. Cada performance, seja atuação, leitura ou música, pode ter no máximo 5 minutos.

São três rodadas de performances por noite, com 15 minutos de intervalo entre cada uma delas para buscar uma cerveja (5,00 €). Cada rodada tem 8 performances de 5 minutos cada. O clima é dinâmico, e você vai das 21h à meia-noite sem sentir.

Para participar no palco, é preciso chegar cedo, as 20h, e solicitar a inscrição a David ou Alberto, os dois apresentadores da noite. O  SpokenWord Paris é um ótimo lugar para conhecer gente caso você não fale francês, já que é um encontro basicamente anglófono, mas de pessoas do mundo todo (principalmente UK, EUA, Canadá e Australia). E é daqueles eventos que nós do Paris Lado-B gostaríamos de pedir: não espalhe. A cave é realmente pequena e, se ficar famoso, perde a graça. Ah, e apesar de a literatura em língua inglesa ser maioria, há também participações em francês, como esta abaixo, que filmei na última segunda-feira, em que a garota faz poemas com palavras jogadas pelo público (acompanhada pelo piano a partir do 1min).

SpokenWord Paris
Toda segunda-feira, às 21h.
Au Chat Noir, 76, rue Jean Pierre Timbaud, 75011.
Métro Parmentier/Couronnes.

Aproveitando a viagem:

  • A Rue Jean Pierre Timbaud tem uma vida noturna e cheia de bares: procure pelo Petit Garage ou pelo UFO se estiver atrás de cerveja barata e clima descontraído.
  • Na mesma rua também fica o excelente centro cultural Maison des Metallos, do qual já falamos.

Veja também:

Exposição Luciano Spinelli

Convidamos quem estiver em Porto Alegre até o dia 12 de novembro a conferir a exposição do amigo Luciano Spinelli, que além de ser um grande fotógrafo, conhece o lado-b de Paris como poucos e é um dos “consultores” do blog. As fotos da exposição estão acompanhadas de algumas dicas nossas. Se você não está em Porto Alegre, pode conhecer o trabalho do Luciano neste link.

Cerveja barata em pleno Marais

Em nossa eterna busca pela cerveja barata em Paris, eis que surge o bar L’Attirail, uma improvável opção em pleno Marais. Mais improvável ainda porque os pints de Stella Artois, a 3 euros cada, vêm acompanhados de um prato de batatas fritas com alho e salsa, cortesia da casa no happy hour.

O L’Attirail também serve alguns pratos, como saladas, hambúrguer, confit de canard e outros básicos da cozinha francesa, mas confesso que nunca fui além das batatas (minhas desculpas públicas a todos que já dividiram a mesa comigo lá e mal tiveram tempo de provar).

Além disso, você ainda pode colaborar com a simpática decoração do bar, deixando lá uma foto 3×4.

Duas dicas: as batatas chegam na mesa, mas a cerveja você precisa pedir no balcão; e peça logo uma “pinte” (50cl), que custa 3 euros, já que a “demi” (25cl) custa 2,50.

     

L’Attirail
9 Rue au Maire, 75003, Paris
Telefone:   01 42 72 44 42
Metrô: Arts et Métiers (linhas 3 e 11)
Aberto todos os dias, das 10h às 2h
Site: http://www.lattirail.fr/

Aproveitando a viagem:

  • Ali pertinho ficam tanto o Centre Pompidou quanto a Gaîté Lyrique, dois ótimos centros culturais.
  • A estação Arts et Métiers, na parte da linha 11, é uma das mais legais do metrô parisiense: parece um submarino!

Veja também:

O baile que virou galeria

Localizado em uma minúscula e erma travessa sem saída do 18ème arrondissement (foto acima), longe da colina de Montmartre ou dos pontos turísticos da região, o Le Bal é um daqueles lugares que você só chega se souber o endereço. Impossível passar “sem querer” pela viela Impasse de la Defense. Mas depois de dar os primeiros passos sem encontrar vivalma, você vai deparar com um dos espaços dedicados às artes visuais mais efervescentes da cidade.

O Le Bal é não apenas um espaço para exposição, mas também uma boa livraria e um ótimo bar/restaurante, que com frequência está mais cheio do que a galeria. A história do Le Bal também é interessante: nesse fim de mundo do 18ème, antes da II Guerra Mundial, existia um “espaço de baile” (por isso o nome, Le Bal) – na verdade um bom e velho cabaret, chamado Chez Isis. Em 2006, passou por uma reforma geral e virou este espaço dedicado a fotografia, cinema e novas mídias, com ênfase em documentação (ideal para jornalistas), com frequência trazendo exposições internacionais. Atualmente, exibe fotografias do britânico Paul Graham (até 9 de dezembro de 2012).

Mesmo se a exposição não lhe interessar, vale a pena visitar o Le Bal pelo brunch dos domingos (até às 16h) ou apenas pela caminhada pelas desconhecidas vielas ao redor da Place de Clichy, que revelam cenas insólitas como esta abaixo.

Le Bal
6 Impasse de la Défense. 75018. Paris
Metrô Place de Clichy (linhas 2 ou 13).
Quartas e sextas-feiras, das 12h às 20h. Quintas-feiras, até às 22h.
Sábados, das 11h às 20h, e domingos, das 11h às 19h.
Acesso à livraria e ao bar gratuitos. Acesso à galeria, 5 euros (4 para estudantes).

Leia também

Um barco-teatro natureba

O verão está acabando e vamos então à última dica de happy hour. No último post sobre o Bassin da la Villette eu falei do 25 Est e disse que era um dos melhores happy hours do lago, mas não o único. Vamos a outro então, o Péniche Antipode. Trata-se de um barco ancorado dentro do Bassin, na margem esquerda de quem chega pelo metrô Jaures (ou Stalingrad).

Além das vantagens óbvias de se “prendre un verre” dentro de um barco (a brisa, a vista do lago, o sol, etc), o Péniche Antipode também oferece coisas diferentes no cardápio e na programação. Porque, além de um bar, ele é também restaurante  (almoço vegetariano todos os dias) e teatro. Sim, há um teatro dentro do barco, com um palco de tamanho bem razoável por onde passam atrações musicais ou teatrais (programação, aqui).

O ideal é chegar para o happy hour no fim da tarde e ficar para ver o que vai passar pelo palco à noite. Tudo no Antipode tem o clima “natureba”, não só a comida vegetariana. Os copos são ecológicos e as cervejas vendidas lá são todas ou BIO, ou fabricadas em condições de “comércio justo”. O destaque é a cerveja holandesa Mongozo, que vem nos sabores banana, coco e manga. Sei que pode parecer uma mistura absurda, mas as de coco e de manga são bem boas.

Eventualmente o Antipode levanta sua âncora e vai estacionar em outro ponto do Canal de L’Ourcq, por isso é bom verificar no site se o barco está atracado no Bassin antes de chegar lá.

Péniche Antipode
Bassin de la Villette
Saindo da estação Jaures (linhas 2, 5 e 7bis), logo à direita.

Leia também:

Roupas e acessórios com preços camaradas

Reproducao-Afwosh.com

Cheia de coisinhas legais, das úteis às deliciosamente inúteis, a Afwosh bem podia estar no Marais, mas se instalou logo acima dos Grands Boulevards. Melhor para nós, que ganhamos uma loja sem americanos em dia de compras e com precinhos mais amigos.

A loja é pequena, mas tem uma boa seleção de roupas masculina/feminina/infantil, acessórios, bijuterias e coisas para a casa. Os preços variam: de bijus baratinhas e roupas acessíveis – de marcas como Vero Moda – até pequenos luxos.

A Afwosh também vende online, mas entrega somente na França. E, se serve de consolo, a loja virtual é bem fraquinha. Melhor mesmo é passar lá!

Afwosh
10 rue d’Hauteville, 75010, Paris
Metrô: Bonne Nouvelle (linhas 8 e 9)
Aberto de segunda a sábado, das 11h às 20h
Site: www.afwosh.com

Aproveitando a viagem:

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Happy Hour no lago

O 19éme arrondissement de Paris é o melhor para aproveitar o verão. Por ser o distrito mais popular, também é menos visitado por turistas. Melhor ainda. Entre as opções para se jogar no sol com uma gelada estão o Parc de Buttes Chaumont e o Parc de la Villette, dos quais já falamos. Mas o meu lugar preferido do 19ème é esse da foto acima, o Bassin de la Villette, um lago artificial construído a partir do Canal Saint Martin.

Ao redor do Bassin da la Villette ficam nada menos do que três dos melhores happy hours da cidade – todos recomendados para o verão (agora!). Para começar, vou falar do 25° Est, que fica na ponta ou no “início” do lago. O grande segredo deste bar não é ele, mas está em cima dele: o terraço ao ar livre onde, no verão, montam uma barraquinha de cerveja e vendem em copos de plástico mesmo um pint a 3,5 euros – ótimo preço para os padrões locais. Depois, é só se esticar nas cadeiras e aproveitar a vista para o lago, as árvores e a brisa. O clima informal é o mais próximo de uma praia que se pode ter em Paris.

25° Est
Bassin de la Villette
Saindo da estação Jaures (linhas 2, 5 e 7bis), logo à direita.

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Hora do chá

Parece tão impossível encontrar um pouco de sossego por essa região entre Saint-Germain-des-Prés e Saint-Michel que, quando você passa pelo portão da Passage Dauphine, tem a impressão de entrar em um pátio privado. E ali estão as mesinhas na calçada do L’Heure Gourmande, onde se pode sentar tranquilamente (de verdade) para um chá – sem fumaça de escapamento, carrinhos de bebê atropelando seu pé ou sacolas de compras batendo no seu ombro.

Com preços a partir de 6 euros, os chás não são baratos (como tudo em Saint-Germain, aliás), mas valem a pena pela variedade e qualidade. Para acompanhar, várias delicinhas como bolos, tartes, madeleines e até sorvetes Berthillon.

L’Heure Gourmande
22 Passage Dauphine, 75006
Metrô: Odéon (linhas 4 e 10) ou Saint-Michel (linha 4)
Aberto todos os dias, das 11h30 às 19h

Aproveitando a viagem:

  • Para quem é fã ou se empolgou de repente, ali pertinho tem uma loja Mariage Frères, que vende ótimos chás.
  • Também ali perto fica o Café Procope, de 1694, que dizem ser o mais antigo de Paris. Os preços são meio desanimadores, mas é sempre engraçado passar por ali, dar aquela espiadinha e imaginar Rousseau, Voltaire ou Robespierre entre a clientela.

Veja também:

Cervejas belgas e (mais) comida de graça

O chato de viajar pela Europa é que são tantos lugares incríveis, todos tão diferentes e tão próximos, que é impossível justamente fazer uma viagem “à Europa”. Aí você vai de Amsterdam a Paris, por exemplo, e ali no meio está a Bélgica, suplicando por uns dias da sua programação. Mas falta tempo, ou falta dinheiro… É preciso fazer escolhas.

O Bouillon Belge é um bom refúgio se for este o caso, principalmente se o que mais atrai você na Bélgica são as cervejas (confessa, vai). São mais de 100 tipos diferentes, em garrafa ou pressão, entre 2,50 e 6,50 euros – ou ainda em garrafas de 750ml, entre 14 e 16 euros. Pilsen, blanche, kriek, faro, duple, triple, tem de tudo. Ficou na dúvida? O pessoal do bar ajuda a escolher, mas sem abrir mão da piadinha ”Você prefere loiras, ruivas ou morenas?”…

Para amortecer o álcool, a cozinha do bar oferece pratos típicos da Bélgica, como a carbonnade flamande ou as tradicionais batatas fritas servidas em um cone.

Além disso, toda quarta-feira, a partir das 20h30, tem comida de graça. Ok, nem tudo é perfeito, e a comida em questão não é nenhuma maravilha belga, mas pode variar entre o tradicional couscous ou o chili con carne. De graça, né? E bem acompanhada.

Le Bouillon Belge
6 rue Planchat, 75020, Paris
Metrô: Avron (linha 2) ou Buzenval (linha 9)
Aberto das 17h às 2h, de segunda a sexta; do meio-dia às 2h no sábado; e do meio-dia à meia-noite no domingo

site: http://lebouillonbelge.fr/

Aproveitando a viagem:

  • Essa região não é muito forte em atrações (aliás, evite explorar as ruazinhas por ali a pé, tarde da noite), mas a três estações de metrô (linha 2) do Bouillon Belge fica o cemitério Père Lachaise. Já a linha 9 passa também por Oberkampf.

Veja também:

Verão no Parc de la Villette

O Parc de la Villette é uma verdadeira cidade dentro de Paris. Fica num “canto extremo” da capital, mais precisamente no nordeste, divisa entre o 19ème arrondissement e a periferia. Esse espaço gigantesco abriga várias casas de show (Zenith, Trabendo, Cabaret Sauvage), vários centros culturais (Cité de la Musique, Cité des Sciences, entre outros) e, claro, como um bom parque, tem ótimos espaços ao ar livre. As longas áreas de gramado são boas para piquenique e ainda são cortadas pelo belo canal Ourcq.

Desse universo gigantesco a ser explorado, vou destacar dois eventos que ocorrem anualmente no verão (portanto já vão começar) e que valem muito a pena:

1) Villette Sonic: é um festival de rock alternativo, indie e eletro que rola há sete anos. Ocupa diferentes espaços do parque, mas o shows principais são no Grande Halle de la Villette, um prédio envidraçado que tem um ótimo clima para shows. O festival desse ano começa nessa semana: de 25 a 30 de maio. Entre os destaques, Mudhoney e Melvins. Ingressos e informações, aqui.

2) Cinéma en Plein Air: para mim um dos eventos mais legais do verão na cidade (se não o mais legal). É uma sessão de cinema diária em pleno gramado ao ar livre (foto acima, de Alain Goustard). Todo dia um filme. Ou melhor, toda noite. A sessão começa depois que o sol se põe, e no verão ele se põe sempre depois as 22h. A dica é levar cadeiras de praia, já que deitar na grama durante 2 horas não faz muito bem para as costas. Ou se esbalde na cerveja a 3 euros vendida ali mesmo – é o que muita gente faz para ficar mais confortável. O En Plein Air deste ano começa em 25 de julho e vai até 26 de agosto. Todo dia de graça.

Parc de la Villette
211 Avenue Jean Jaurès, 75019 Paris.
Metro Porte de Pantin (Linha 5).
Confira no mapa a localização de cada lugar dentro do parque.

LEIA TAMBÉM:

Happy hour no alto da montanha

 

Essa semana o calor finalmente chegou (por calor, entenda-se temperatura atingindo os 20 graus) e vou começar então uma série de posts sobre os melhores (e mais escondidos) lugares para beber uma gelada no final da tarde. Mesmo não estando ainda tão quente, o dia já está durando até ao redor das 21h.

Para começar, vamos com o alto da montanha de Belleville. Lá em cima, na Rue Piat com Rue Envierges, fica o La Mer à Boire, um bar de esquina como qualquer outro. A diferença são as ótimas (e muitas) mesas na calçada e o belvedere que fica bem em frente ao bar e que oferece essa vista pouco conhecida sobre Paris:

 

Dica 1: para chegar lá em cima sem cansar, não desça na estação de metrô Belleville, e sim na estação Pyrénées (linha 11). Depois basta caminhar mais duas quadras no mesmo nível, sem escalada.
Dica 2: Não espere o sol se pôr para se mandar de lá. A região não é das mais seguras durante à noite.

La Mer à Boire
1 Rue Envierges – 75020.
Metrô Pyrénees (linha 11)
De segunda a sábado, das 11h às 2h. Domingo, das 11h às 23h.

Aproveitando a viagem:

  • Se quiser continuar a noite depois de anoitecer, simplesmente desça a pé a Rue de Belleville e pare no excelente bar Aux Folies.
  • E se quiser estender a noite ainda mais, faça uma soirée no Bellevilloise.

Maison des Métallos

A Maison des Métallos é um centro cultural localizado no meio da efervescente região  de Oberkampf, mas é tão escondido que muita gente que frequenta o bairro há anos não sabe que ele existe. Fica em plena Rue Jean Pierre Timabaud, uma paralela da Rue d’Oberkampf lotada de bons bares como o Petit Garage e o U.F.O.

A Maison acaba passando batida porque sua linda fachada fica, na verdade, no pátio interno do terreno, na altura do número 94. Ao passar pelo pórtico de entrada (foto acima), o visitante depara com o prédio tipicamente industrial construído em 1881. Por alguns anos, ali funcionou a fábrica de instrumentos musicais Couesnon, conhecida por ser fornecedora de grandes jazzistas americanos e por ter sido a primeira fábrica de instrumentos a usar máquina a vapor. Em 1937 o prédio foi comprado por um sindicato de metalúrgicos – daí o nome do centro cultural – e em 2007 foi adquirido pela prefeitura, que transformou em centro cultural.

O melhor é visitar à noite, quando as luzes de neon da fachada contrastam com a arquitetura antiga. O destaque do centro é o grande espaço para shows (foto abaixo). As apresentações costumam custar não mais do que 10 euros, trazendo artistas de vanguarda e experimentalismo entre música e teatro. O segundo destaque é o café, com um clima “branché”, mais cool, em geral com música lounge animada por DJ’s antes dos concertos começarem. Confira aqui a programação. (Crédito das fotos: Festival Future En Seine/Divulgação);

Maison des Métallos
94 Rue Jean-Pierre Timbaud
Metro Couronnes (linha 2) ou Parmentier (linha 3).
De segunda a sexta, das 9h às 19h. Sábados, das 14h às 19h. Domingo à noite, dependendo da programação.

Leia também

Três dicas próximas da Maison des Métallos:

Mixtape ParisLadoB #4 – allez, les filles

O que eu queria mesmo era fazer uma playlist celebrando a chegada da primavera, as flores das cerejeiras e todas essas bobagens que fazem a alegria do povo depois de meses de tempo frio e cinza. Mas não. Não, porque o tempo continua frio e cinza e a primavera, ai, nem sinal.

Então resolvi juntar 10 cantoras, todas vivas, todas francesas (mas que não necessariamente sussurram com voz rouca), algumas mais conhecidas, outras menos.

Aqui você vê a playlist inteira, e logo abaixo estão os clipes, um por um.

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Destruindo Paris

Num espírito ficção-científica vintage, o último vídeo do grupo francês La Femme tira todo o romantismo da cidade e derruba até a Torre Eiffel (ops, contei), com direito a corridinha em Montmartre e vilões oxigenados no Palais du Trocadéro.

 

Veja também:

Dia de feira

Uma das melhores formas de ver a verdadeira vida parisiense é visitar algum dos tantos marchés espalhados pela cidade. Além dos marchés cobertos – que o Gabriel já citou aqui anteriormente -, a tradicional feira é a melhor opção para encontrar produtos frescos e mais baratos do que no supermercado.

É claro, se você estiver por aqui fazendo turismo, pouco interessam nabos frescos, belos aspargos ou mangas insípidas vindas da Martinica. Mas os marchés costumam ter bem mais do que isso. Você pode aproveitar para comprar produtos regionais, como queijos de todos os tipos, vinhos, embutidos, sabão de Marselha ou mesmo utensílios de cozinha.

Também vale pela curiosidade (quem são os franceses? de que eles se alimentam?), com toda a variedade de carnes, frutos do mar ou cogumelos, por exemplo.

O site da prefeitura de Paris traz todos os endereços e os dias e horários de cada marché:

Endereços dos marchés (com mapa)
Dias e horários dos marchés

Veja também:

Performances no Dimanche Rouge

É verdade que Paris há muitos anos perde espaço para Londres e Berlim no que diz respeito à produção artística contemporânea – para ficarmos apenas no cenário europeu. Não é fácil para a cidade se desvencilhar de seu passado no que diz respeito à arte, mas ela continua atraindo jovens artistas experimentais do mundo todo, mesmo que essa produção não seja tão visível como em outros lugares.

Uma das melhores ocasiões para se conectar com o que há de novo nessa cena relativamente escondida é o evento Dimanche Rouge. Um domingo por mês, em lugares variados (em geral teatros ou discotecas obscuras), o Dimanche Rouge apresenta cerca de 15 performances de 20 minutos cada uma, de artistas e grupos do mundo todo, mas baseados em Paris. Vale tudo, mas dança, performances e audiovisual são os mais comuns. A soirée costuma terminar em uma festa de música eletrônica.

A entrada é gratuita, mas não recomendada a crianças nem a pessoas de estômago fraco. Com frequência as performances envolvem algum tipo de violência, nudez ou situações que podem ser bastante perturbadoras – e a distância entre o artista e o público quase não existe. Ou seja, é para quem realmente está atrás de experimentação e vanguarda. No vídeo acima você pode conferir algumas imagens da última edição, que foi no dia 18 de março, no clube Divan du Monde, em Montmartre. A próxima ocorre no dia 15 de abril, no mesmo lugar.

Dimanche Rouge
Próxima edição: 15 de abril de 2012, a partir das 16h.
Divan du Monde (75 Rue des Martyrs, 75018 Paris).

Aproveitando a viagem:

Woody Allen em cartaz

Todo mundo que assistiu a Whatever Works, de Woody Allen (em português, “Tudo Pode dar Certo”) teve um pouco daquela sensação: “Isso ficaria demais se montado num palco…”. É claro que muitos filmes de Woody Allen provocam isso, mas Whatever Works, com seus longos monólogos e diálogos, parece ainda mais pronto para o teatro. O diretor francês Daniel Benoin também achou a adaptou o filme para “Après Tout Si Ça Marche”, que entra em cartaz no Théâtre Marigny no próximo dia 17 de abril e segue até 23 de junho – uma temporada relativamente curta, portanto. Ingressos já podem ser reservados no site do teatro ou no sempre útil Fnac Spetacles.

Os preços não são lá os mais acessíveis – um bom lugar sai por 53 euros -, mas se justificam pelo teatro, que fica em plena Champs-Élysées e é um dos mais tradicionais da cidade, fundado em 1894. Além disso, o Théâtre Marigny tem um convênio bem legal com restaurantes das redondezas. Apresentando o bilhete do espetáculo, você pode jantar com preços especiais nos seguintes lugares:

Não esqueça que em todos eles é preciso apresentar o ingresso do teatro para obter esses preços. E alguns funcionam após o espetáculo, outros apenas antes. Consulte o site de cada restaurante para ter mais detalhes.

Après Tout Si Ça Marche
Adaptação de Whatever Works (Woody Allen)
Direção de Daniel Benoin
De 17 de abril a 23 de junho
Théâtre Marigny
Carré Marigny 75008 Paris (metro Champs-Élysées Clemanceau).

Aproveitando a viagem:

  • Os pontos turísticos mais próximos são o Arco do Triunfo e a avenida des Champs-Élysées.
  • Você também estará ao lado do Petit Palais.
  • Confira outras atrações na nossa Programação Cultural.

Moda no Haut Marais: Acne Studios

A Acne Studios pode não ser nada “lado B”, mas a mais nova loja da marca em Paris certamente vale a visita (mesmo que você não esteja com muita di$po$ição para fazer compras).

Aberta há cerca de três meses, ela fica no Haut Marais, uma parte menos frequentada do bairro e que tem atraído as lojas que já são cool demais para a Rue des Francs-Bourgeois e suas hordas de turistas.

A Acne Studios fica em frente à Bonton, uma loja infantil incrível (mesmo para as crianças grandes, e aí eu me incluo), e pertinho também da concept store Merci, imperdível.

Acne Studios
3 rue Froissart, 75003, Paris
Metrô: Saint-Sébastien – Froissart (linha 8)
Fone: 01 49 96 96 91
Aberta de segunda a sábado, das 11h às 19h
Site: www.acnestudios.com

Aproveitando a visita:

  • O ponto turístico mais próximo é a Place des Vosges, onde fica o museu gratuito Maison de Victor Hugo, que já resenhamos aqui. O Marché des Enfants Rouges também fica pertinho – é o mercado coberto mais antigo de Paris e uma ótima parada para o almoço.
  • Todo o Haut Marais está cheio de lojas, galerias e bares. Dê uma volta pelas ruas Charlot, Poitou, Vieille du Temple e redondezas. Logo acima fica a região de Oberkampf, de que sempre falamos aqui.
  • Para emendar a noite, siga para o Pop In, na rue Amelot.

Veja também:

O bar mais cool de Paris

Aux Folies de Belleville / Foto: Alya Nery

Se eu tiver que dar apenas uma dica para quem quer ver um pouco do lado B de Paris, ela será certamente o Aux Folies.

No meio da confusão que é Belleville, este é, para mim, o bar mais cool da cidade. Mas não entenda mal esse “cool”: não estou falando de decoração Philippe Starck, indie-electro-rock ou gente vestida de Zadig & Voltaire. O charme do Aux Folies não está no trendy e passa longe da sofisticação.

Originalmente, o bar fazia parte do Folies-Belleville, um café-teatro que funcionou do final do século XIX até 1947 e era frequentado por “gente do bairro” como Edith Piaf e Maurice Chevalier. A sala de espetáculos acabou virando um supermercado, mas o Aux Folies continua ali. A época de ouro é lembrada pelas colagens nas paredes, com antigos cartazes do cabaré.

Foto: Alya Nery

Foto: Alya Nery

Hoje, o Aux Folies é uma representação perfeita do lado B de Paris. Durante o dia, é um café frequentado por moradores da região, incluindo simpáticas velhinhas que costumam sair sem pagar. No fim da tarde, a cerveja barata atrai os mais jovens e o bar costuma lotar.

Do lado de fora, você pode observar a diversificada população de Belleville, composta principalmente por imigrantes chineses e africanos, ou aproveitar a relativa calma da rua lateral e seus muros cobertos de grafites – só não espere ver a beleza dos grands boulevards parisienses. A parte de dentro tem o charme decadente do neon, colagens por tudo e até uma máquina de pinball.

E, quem sabe, talvez você até cruze com a Mélanie Laurent por lá – mesmo que seja ficção, como no filme Paris, dirigido por Cédric Klapisch, em que o personagem interpretado por ela encontra os amigos no Aux Folies.

Aux Folies
8 rue de Belleville, 75020, Paris
Metrô: Belleville (linhas 2 e 11)
Fone: 01 46 36 65 98
Aberto todos os dias, das 7h até as 2h

Aproveitando a visita:

  • O ponto turístico mais próximo é o cemitério Père Lachaise, a três estações de metrô.
  • Ali pertinho fica também o parque Buttes-Chaumont, de que já falamos aqui.
  • Aproveite para comer em um dos vários restaurantes orientais das redondezas, como o bom e barato Au Rouleau de Printemps.

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Tim Burton em exposição

Se você vier a Paris até o dia 5 de agosto, poderá conferir a exposição Tim Burton, com desenhos, maquetes e figurinos do diretor de cinema americano, conhecido por filmes como “O estranho mundo de Jack” e “A fantástica fábrica de chocolate”. A exposição abre na próxima quarta-feira (7 de março) e também é uma ótima desculpa para ir conhecer a Cinemateca Francesa, que fica num canto da cidade meio fora do circuito, mas que é um lugar bem interessante.

Paris será a única parada europeia da exposição, que começou pelo MoMa, em NY. A edição francesa terá um adicional: uma coleção de desenhos feitos em guardanapos, grande parte deles do Ritz, famoso hotel de Paris. Além da exposição, a Cinemateca organiza ciclos sobre a obra do diretor (confira a programação no link abaixo).

Exposição Tim Burton
La Cinémathèque Française
51 rue de Bercy 75012
Segundas, quartas e sextas, das 12h às 19h
Quintas-feiras, das 12h às 22h
Fins de semana, das 10h às 20h
Ingressos: 11 euros. Visitas guiadas a 12 euros, sábados e domingos, às 10h30.

Aproveitando a viagem

  • Não deixe de conhecer a Bibliothèque Nationale de France (BnF), que fica ao lado, cruzando o Sena.
  • A própria ponte que liga o parque da Cinemateca à Biblioteca Nacional é turística por si só, com sua arquitetura moderna e níveis diferentes de passagem.

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Au Clair de Lune




Há poucos dias falei sobre a exposição dos 100 anos das lâmpadas de Neon e comentei que os banners que usamos no alto do blog mostram dois dos nossos bares preferidos na cidade, o Aux Folies e o Au Clair de Lune, que abusam do neon na decoração. Vamos falar deles então, começando pelo Au Clair de Lune.

Localizado no 18ème, ao pé da colina de Montmartre, o Au Clair de Lune é um típico café parisiense durante o dia: um expresso baratinho para se beber no balcão lendo o jornal. No fim da tarde, especialmente no verão, é ótimo para o happy hour, porque todas as paredes do bar (que é de esquina) são na verdade portas de vidro dobráveis. Ou seja, nos dias quentes tudo fica aberto e o limite entre o bar e a rua deixa de existir, é tudo uma coisa só, numa excelente atmosfera.

Na noite, quando os neons do teto se acendem, a música fica mais alta, mas ainda assim continua sendo um bom lugar para conversar. O grande lance do Au Clair de Lune é não sentar nas mesinhas do fundo, e sim ficar em pé ao redor do balcão.

Mas sem dúvida o mais interessante do bar é a mistura de gente. Como ele fica numa espécie de fronteira entre a parte turística de Montmartre e um bairro mais pobre (La Goutte D’Or), reúne ao menos três tipos de público: estudantes (do tipo “BoBo”, boêmio-burguês, como chamam os franceses), turistas jovens (já que a região é cheia de albergues) e operários imigrantes, que aparecem atrás da cerveja barata.

A comida não é o forte do bar, exceto uma vez por semana, quando a Nausicaa, uma simpática jovem cheff, faz uma soirée gastronômica por lá. A comida é um tanto exótica, baseada na cozinha judaica e magrebina, mas realmente boa, e a um preço fixo. Para saber qual noite da semana a Nausicaa assume as panelas e qual o cardápio do dia, basta segui-la no Facebook.

É um ótimo lugar para fazer amigos e fugir da turistada, pois mesmo ficando em Paris, tem o típico clima de um bar de subúrbio.

Au Clair de Lune
1 Rue Ramey. 75018. Paris.
Aberto todos os dias, das 8h às 2h.
Metrô Chateau Rouge (linha 4) ou Anvers (linha 2).

Aproveitando a viagem

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Como entrar de graça em museus pagos

Já falamos aqui dos melhores museus gratuitos de Paris, mas esta não é a única forma de economizar na hora de visitar museus e monumentos na cidade – pelo menos para quem tem disposição, paciência e algum tempo disponível.

Preparamos uma lista com o essencial dos principais museus: quando entrar de graça, mas também o preço normal do ingresso e se existe algum modo de cortar a fila. Assim você vê se vale a pena se juntar a todos os outros viajantes frugais, os sem-um-tostão e os mãos-de-vaca que também querem poupar uns euros.

Musée do Louvre
Gratuito no 1o domingo de cada mês (coleção permanente)
Preço normal do ingresso: 10 euros
Para evitar filas: o ingresso pode ser comprado com antecedência na Fnac, Ticketweb ou Ticketnet
Veja também: como furar a fila do Louvre

Centre Pompidou – Musée National d’Art Moderne
Gratuito no 1o domingo de cada mês (coleção permanente)
Preço normal do ingresso (válido para coleção e exposições): 13 ou 11 euros
Para evitar filas: o ingresso pode ser comprado com antecedência pela internet
Veja também: Como furar a fila do Pompidou

Arc de Triomphe
Gratuito no 1o domingo de cada mês, de 1º de novembro a 31 de março
Preço normal do ingresso: 9,50 euros

Conciergerie
Gratuito no 1o domingo de cada mês, de 1º de novembro a 31 de março
Preço normal do ingresso: 8,50 euros
Ingresso Sainte-Chapelle + Conciergerie: 12,50 euros

Sainte-Chapelle
Gratuito no 1o domingo de cada mês, de 1º de novembro a 31 de março
Preço normal do ingresso: 8,50 euros
Ingresso Sainte-Chapelle + Conciergerie: 12,50 euros

Torres da Notre-Dame
Gratuito no 1o domingo de cada mês, de 1º de novembro a 31 de março
Preço normal do ingresso: 8,50 euros

Maison Européenne de la Photographie
Gratuito nas noites de quarta-feira (das 17h às 20h)
Preço normal do ingresso: 7 euros

Château de Versailles
Gratuito no 1o domingo de cada mês, de 1º de novembro a 31 de março
Preço normal do ingresso: 15 euros
Para evitar filas: o ingresso pode ser comprado com antecedência no site do castelo

Musée de l’Orangerie
Gratuito no 1o domingo de cada mês
Preço normal do ingresso: 7,50 euros
Todos os dias, a partir das 17h, ingresso a 5 euros
Você pode comprar um ingresso válido para o Musée d’Orsay e o Musée de l’Orangerie (billet jumelé) a 14 euros, válido por 4 dias, evitando filas
Para evitar filas: o ingresso pode ser comprado com antecedência na Fnac, Ticketnet ou Digitick

Musée du Moyen Âge – Cluny
Gratuito no 1o domingo de cada mês
Preço normal do ingresso: 8 euros

Cité de l’Architecture et du Patrimoine
Gratuito no 1o domingo de cada mês (coleção permanente)
Preço normal do ingresso: 8 euros
Para evitar filas: o ingresso pode ser comprado com antecedência no site do museu ou na Fnac

Musée du Quai Branly
Gratuito no 1o domingo de cada mês (coleção e exposições temporárias)
Preço normal do ingresso: 8,50 euros (coleção), 7 euros (exposições) ou 10 euros para tudo
Para evitar filas: o ingresso pode ser comprado com antecedência pela Fnac ou Ticketnet

Musée Rodin
Gratuito no 1o domingo de cada mês (coleção permanente)
Preço normal do ingresso: 7 euros (coleção), 1 euro (jardim)

Panthéon
Gratuito no 1o domingo de cada mês, de 1º de novembro a 31 de março
Preço normal do ingresso: 8,50 euros

Se você planeja visitar vários museus em poucos dias, dê uma olhada também no Paris Museum Pass, entre 39 e 69 euros, que dá acesso ilimitado e sem filas a mais de 60 museus na região parisiense.

Outra dica: se você tem passaporte europeu (país membro da CE) e menos de 26 anos, pode entrar de graça em vários museus. Informe-se antes de comprar o ingresso.

Veja também:

Os 100 anos do neon em exposição

Claude Lévêque, Rêvez!, 2008 © Claude Lévêque

Como o leitor já deve ter percebido, a estética dos tubos de neon é uma das inspirações deste blog. Em parte, porque ela está presente no charme decadente de alguns dos nossos cafés preferidos em Paris (nos banners lá de cima você sempre vê, intercaladamente, as lâmpadas de neon que decoram os cafés Au Clair de Lune e Aux Follies).

Tudo isso para dizer que apesar da cafonice que é por vezes injustamente associada às luzes de neon, elas acabam de ganhar uma interessante exposição que poderá ser visitada por quem vier à cidade até o dia 20 de maio. A homenagem é porque a lâmpada de neon está completando 100 anos – foi criada pelo químico francês Georges Claude em 1912. E provavelmente isso explica o apreço dos franceses por esse tipo de decoração, que até hoje está presente por tudo (as farmácias com seus neons verdes são o exemplo mais óbvio).

A vasta exposição “Néon - Who’s Afraid of Red, Yellow and Blue?” reúne 108 obras de 83 artistas que trabalharam as luzes de neon de alguma forma, dos anos 40 até hoje. Pode ser visitada na Maison Rouge, uma fundação inaugurada em 2004 no prédio de uma antiga fábrica em Bastille e que promove sempre três grandes exposições por ano.

Carlos Cruz-Diez, Chromosaturation, 2011

Exposição Neon 
La Maison Rouge
10 Boulevard de la Bastille
De quarta a domingo, das 11h às 19h. Quintas, até às 21h. (Até 20 de maio de 2012)
Ingresso: 7 euros (5 para menores, estudantes e idosos).

Aproveitando a viagem

  • O ponto turístico mais próximo é a Place de la Bastille, ao lado.
  • A Ilha de Saint-Louis também está a alguns metros.
  • Se quiser emendar uma noitada, a Rue de la Roquette, ao lado, é repleta de bares.

Leia também

Top 5 museus gratuitos de Paris #1: Musée d’Art Moderne

O meu primeiro argumento para levar alguém minimamente interessado por arte ao Museu de Arte Moderna de Paris é a gratuidade.

O segundo argumento é igualmente simples: basta listar alguns dos artistas que você encontra por lá. Matisse, Picasso, Modigliani, De Chirico, Georges Braque, Jean Arp, Raoul Dufy, Fernand Léger, Hans Arp, Yves Klein, Robert Delaunay, Francis Picabia. Prefere os contemporâneos? Que tal Andreas Gursky, Georg Baselitz, Christian Boltanski?

Se os seus conhecidos pararam no segundo nome da lista, eu volto para o primeiro argumento e completo: que ótima oportunidade de conhecer essa galera, hein?

A coleção do MAM de Paris é uma espécie de continuação do percurso do Petit Palais (de onde vieram suas primeiras aquisições), passando por diversas correntes artísticas do século XX: Escola de Paris, fauvismo, cubismo, surrealismo e movimento Dada, arte abstrata, novo realismo, arte conceitual. Entre pintura, escultura, fotografia, vídeo e instalações, o acervo do museu conta com mais de 8000 obras.

Tá bom ou quer mais?

Musée d’Art Moderne de la Ville de Paris
11, avenue du Président Wilson, 75116, Paris
Metrô: Iéna (linha 9) ou Alma-Marceau (linha 9)
Fone: 01 53 67 40 00
Site: www.mam.paris.fr
 Aberto de terça a domingo (exceto feriados), das 10h às 18h
Acesso gratuito à coleção permanente

Aproveitando a viagem:

  • As exposições temporárias do MAM são pagas, mas geralmente valem a pena (em 2011, por exemplo, o museu exibiu uma ótima retrospectiva do Basquiat). No mesmo prédio, o Palais de Tokyo (fechado para reformas até abril de 2012) é um dos melhores espaços de arte contemporânea da cidade – e a livraria também merece uma olhada.
  • Da série “pontos turísticos de mau gosto”: ali pertinho, sob a Place de l’Alma, fica o túnel do acidente que matou a Princesa Diana. Na praça, uma réplica da chama da Estátua da Liberdade acabou virando lugar de homenagens à falecida.
  • Não muito longe dali fica a Torre Eiffel – aproveite e dê uma volta pela Île aux Cygnes.

Veja também:

As quatro imagens horizontais usadas neste post, mostrando as salas do museu, são do fotógrafo Pierre Antoine (Musée d’Art Moderne de la Ville de Paris/DR)

Aproveitando a viagem:

Três opções para ver futebol

A temporada de futebol na França, como em toda Europa, começa lá por agosto e termina por junho do ano seguinte. Neste momento, portanto, o campeonato francês, chamado Ligue 1, está a pleno vapor. Neste post vou compilar as três possibilidades de ver futebol para o turista que vem a Paris. As três são experiências totalmente diferentes entre si: o grandioso Stade de France, o tradicional Parc des Princes e o LADO-B (nossa praia!) estádio de Charléty, na terceira divisão.

1. Ver a seleção jogar no Stade de France

O Stade de France é o maior e mais belo estádio da região parisiense, foi construído para a Copa de 1998 e foi lá que o Brasil caiu tragicamente na final para a França. Vale a pena superar o trauma para conhecê-lo. De futebol, recebe apenas os jogos amistosos da seleção francesa (o registro acima fiz no França x EUA do ano passado) e a final anual da Coupe de la Ligue, uma competição não muito importante do futebol francês. Do ponto de vista futebolístico, não é a melhor experiência para quem ama o esporte. Mas é a mais segura para ir com família e vale pela beleza do estádio e do entorno dele.

Ingressos e calendário: podem ser acessados online em www.stadefrance.com
Como chegar: com o trem RER B, descendo na estação “La Plaine – Stade de France”. Ele parte a todo instante de Saint-Michel, Chatlet e Gare du Nord.
Dicas: O entorno do estádio é bastante interessante, cheio de bares e restaurantes de arquitetura moderna, já que tudo foi construído para a Copa de 1998. Vale chegar com antecedência para aproveitar.

2. Ver o PSG jogar no Parc des Princes

Provavelmente a opção que mais vai interessar aos frequentadores de estádio no Brasil. O PSG é o único clube grande da cidade, jogando o campeonato nacional, a copa da França e eventualmente a Copa da Europa. O “Parc”, como chamam os parisienses, é um templo do futebol francês, um estádio antigo, palco de jogos históricos. A foto acima, fiz num dos grandes clássicos do futebol francês, PSG x Lyon, em 2011.

Ingressos e calendário: podem ser acessados no www.psg.fr. Ingressos para a Ligue 1 devem ser comprados com muita antecedência.
Como chegar: metrô Porte d’Auteuil‎ (linha 10) ou Porte de Saint-Cloud‎ (linha 9).
Dicas: é o passeio potencialmente mais perigoso entre esses três, mas não tanto. As torcidas organizadas já foram um problema, mas desde a temporada 2009-2010 (quando houve uma morte), muitos baderneiros foram banidos e o Parc voltou a ser tranquilo. Evite, no entanto, ficar nas “virages” (como na foto acima), que são as partes da arquibancada atrás das goleiras, que é onde estão as torcidas organizadas. Paradoxalmente, são elas que dão o show e fazem o ambiente no Parc ser tão mais legal que no Stade de France.

3. Ver o Paris FC jogar em Charléty

Essa dica é para os torcedores com grau de paixão pelo futebol no nível demente – ou simplesmente para turistas atrás da ”experiência autêntica”. O Paris FC é o clube nanico e desconhecido da cidade (embora seja mais antigo que o PSG) e que joga a terceira divisão do campeonato francês. A casa do Paris FC é o simpático Estádio Charléty, que pertence à prefeitura de Paris. Ele fica no 13ème arrondissement e, embora comporte apenas 15 mil pessoas, é muito moderno e tem uma bela arquitetura. Em geral, não recebe mais do que uma centena de torcedores para ver os jogos do Paris FC. São poucos, mas apaixonados, inclusive com algumas organizadas (que, segundo o próprio clube, somam 40 pessoas). A foto acima eu fiz num “clássico” PFC x Creteil. O grupinho de pessoas no canto direito é uma torcida organizada, embora não pareça. Para quem gosta de futebol “roots” e de um passeio realmente LADO-B, ir a Charléty ver o PFC é a grande pedida.

Ingressos e calendário: o calendário você vê no www.parisfootballclub.com. Os ingressos podem ser comprados na hora mesmo, a míseros 8 pilas. Se bobear, até pagam para você entrar.
Como chegar: estação “Cité Universitaire”, com o RER B ou o Tram T3.
Dicas: não há muito o que fazer ao redor do estádio, com apenas um bar e um quebab. Então é melhor chegar em cima da hora mesmo (até porque nunca tem fila). Em termos de segurança, é tão tranquilo quanto visitar a EuroDisney.

Veja também:

Top 5 museus gratuitos de Paris #2: Petit Palais

De pequeno, o Petit Palais só tem o nome. Construído para a Exposição Universal de 1900, o imponente prédio abriga hoje o Museu de Belas Artes de Paris, além de grandes exposições temporárias.

A diversidade é a principal marca da coleção permanente, que vai da Antiguidade até as vésperas da Primeira Guerra. A visita começa justamente pelo fim, com a art nouveau e os salões que ditavam a arte da “Paris 1900”, continuando pelas principais correntes artísticas do século XIX, como o realismo e o naturalismo. Obras de Courbet, Monet, Cézanne e Doré ficam nessas primeiras galerias, que também dão acesso ao (imperdível) jardim do Petit Palais. Ainda no térreo, quatro salas são dedicadas à arte do século XVIII, com pinturas, móveis, porcelanas e pratarias.

No andar de baixo, a visita continua por uma grande sala com esculturas, vasos e bronzes gregos e romanos, passando pela Renascença – com vários livros, objetos e pinturas, incluindo um Botticeli – e pelo mundo cristão oriental ortodoxo, com uma grande coleção de ícones gregos e russos. O Petit Palais também possui uma boa coleção da idade de ouro holandesa, com obras de Rembrandt, Rubens e Hobbema.

Obviamente, o Petit Palais não é assim um Louvre (nem perto), mas é uma ótima maneira de percorrer, em pouco tempo, um panorama da arte ocidental anterior a 1900 – e sem gastar um centavo de euro.

Petit Palais 
Avenue Winston Churchill, 75008, Paris
Metrô: Champs-Élysées – Clemenceau (linhas 1 e 13) ou Invalides (8, 13 e RER C)
Fone: 01 53 43 40 00
Aberto de terça a domingo (exceto feriados), das 10h às 18h
Acesso gratuito à coleção permanente
Site: http://www.petitpalais.paris.fr/

Aproveitando a viagem:

  • O Petit Palais fica próximo de vários pontos turísticos, como a avenida Champs-Élysées e a Place de la Concorde. Atravessando a ponte Alexandre III (considerada a mais bonita de Paris), você chega à Esplanade des Invalides.
  • Bem em frente, o Grand Palais costuma ter ótimas exposições, como a Monumenta. Este ano, por exemplo, o Grand Palais recebe também uma retrospectiva do fotógrafo Helmut Newton (veja mais sobre as exposições de 2012 neste post).

Veja também: